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O ataque foi confirmado pelos franciscanos em Jerusalém que não possuem nenhuma informação sobre os desaparecidos
Membros do grupo jihadista Frente al Nusra, que tem atacado a Síria, sequestraram um padre e 20 cristãos da cidade de Qunayeh. O ataque foi confirmado pela Custódia Franciscana na Terra Santa e causou grande aflição para a comunidade. O sequestro teria acontecido no domingo passado (5) durante a madrugada quando homens armados invadiram uma das instalações dos franciscanos na cidade e levaram o padre Hanna Jalluof e as outras pessoas que estavam no local. Segundo a nota divulgada pelo site da custódia, algumas freiras conseguiram fugir dos terroristas ligados à Al Qaeda e buscaram refúgio na vizinhança da igreja. “Não podemos dizer onde estão agora o padre e os outros prisioneiros, pois, até o momento, não tivemos contato com os sequestradores”, diz a nota. O desejo da custódia é encontrar todos com vida. “Oramos por ele e por todas as outras vítimas desta trágica guerra sem sentido”, afirma. A Frente al Nusra é uma das várias frentes criadas após o levante popular de 2011 que tem causada uma grande guerra civil. Muitos desses grupos lutam pelo governo, alguns exigindo a criação de um estado islâmico mais rígido, outros pedindo a laicidade do Estado. Enquanto eles atacam de um lado do país, os Estados Unidos, o Reino Unido e outros países ocidentais tentam atacar o Estado Islâmico, outro grupo jihadista que tem dominado o noroeste do Iraque o leste da Síria. Nas últimas semanas os jihadistas capturaram estrangeiros de diferentes nacionalidades para reagir aos bombardeios. Iranianos, turcos e ocidentais foram sequestrados, dois americanos e dois britânicos foram decapitados. Com informações Exame. Fonte: http://noticias.gospelprime.com.br/
Entidades cristãs no Nepal estão preocupadas com a possível proibição de conversões religiosas no país. Segundo a Christian Solidarity Worldwide (CSW), não há lei no Nepal para defender as pessoas que renunciam a outra fé e se convertem ao cristianismo. A organização afirma ainda que existe uma mobilização entre políticos do país que têm alegado que a conversão de uma fé à outra deve ser proibida. Membros da entidade cristã afirmam que os cidadãos do país correm o risco de serem proibidos de se tornar cristãos, a menos que uma nova Constituição lhes assegure o direito à crença. Martin Gore, integrante da Christian Solidarity Worldwide comentou o assunto argumentando ser “muito incerto que [a liberdade religiosa] seja garantida na nova Constituição”. - Os tratados internacionais que o Nepal assinou realmente afirmam que todos têm o direito de adotar uma religião de sua própria escolha, mas as cláusulas [da Constituição] que temos visto até agora não garantem isso – explicou. - O Estado tem propostas, no novo código penal, apresentadas antes da Assembleia Constituinte, alguns anos atrás, que proíbem todas as conversões no novo código penal. Apesar de não terem sido consideradas no plenário da Câmara, essas propostas foram redigidas – concluiu Gore. Tendo apenas 2,85% de sua população de 30 milhões de pessoas composta por cristãos, o Nepal se tornou um país laico após uma guerra civil de uma década entre 1996 e 2006. O acordo para o fim dos conflitos obrigou o país a criar uma nova constituição, mas isso ainda não foi feito, e permanece a incerteza em todo o país. Segundo o ministério Portas Abertas, um projeto de Constituição deverá ser lançado em janeiro, com lugar para consultas e reformulações ao longo de 2015. Fonte: http://noticias.gospelmais.com.br/
O pastor Behnam Irani, preso no Irã desde 2010, estaria desaparecido da penitenciária onde cumpria a sentença de seis anos por conta de suas atividades evangelísticas no país. Ativistas de Direitos Humanos temem que o pastor tenha sido levado para ser espancado e/ou torturado e deixado para morrer. No país, esse método é conhecido como “execução silenciosa”, pois os prisioneiros não recebem assistência médica e as autoridades relatam suas mortes como oriundas de “causas naturais”. Segundo informações do site Gatestone, o pastor Behnam Irani foi retirado à força de sua cela às 6:30 da manhã do dia 07 de junho de 2014. Fontes relatam que foi dito ao pastor que ele estava sendo levado para uma audiência de processos judiciais, e que ele seria levado de volta à prisão em breve. No entanto, ele nunca foi levado ao Tribunal ou voltou para sua cela. A família e companheiros de cela temem por sua segurança, uma vez que seu paradeiro é desconhecido e todas as informações sobre o que houve está sendo negada. Na época de sua prisão, em 14 de abril de 2010, as forças de segurança invadiram sua casa, e o prenderam na frente de sua família. Após um rápido julgamento, Behnam foi condenado a cinco anos de prisão, mas recebeu um ano adicional, totalizando seis anos. A República Islâmica do Irã está entre os 10 países com extrema perseguição aos cristãos. Um detalhado relatório do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas divulgado em março de 2014 aponta que o país continua a aprisionar os cristãos por sua fé, e menciona também a hostilidade do Estado iraniano com judeus e praticantes de outras religiões minoritárias no país. O senador dos Estados Unidos Mark Kirk comentou o documento numa entrevista à Fox News e frisou que algo precisa ser feito em prol da liberdade religiosa no Irã: “Este relatório é como um lembrete importante sobre a verdadeira natureza do regime iraniano… Não podemos fingir que estamos negociando com os moderados ocidentais – estamos a negociar com os radicais islâmicos que perseguem mulheres, cristãos e outras minorias religiosas e étnicas, apesar de negar a todos os seus cidadãos os Direitos Humanos básicos – incluindo a liberdade de expressão e de reunião”. Fonte: http://noticias.gospelmais.com.br/
Extremistas islâmicos executam jovem por ter abandonado o islã e se convertido ao cristianismo Na semana passada um jovem cristão foi executado publicamente com um tiro na cabeça pelo grupo rebelde Al Shabaab, na Somália. Segundo informou o diário Morning Star News, Hassan Hurshe, de 28 anos de idade, foi morto porque havia se convertido ao cristianismo quando se mudou para o Quênia, e depois voltou para Somália. Membros da Al Shabaab, grupo militante islâmico que opera na Somália, arrastaram o jovem cristão para um lugar publico na cidade de Jilib, onde dispararam em sua cabeça. Uma testemunha contou que “muitas pessoas viram esta ação horrível, incluindo mulheres e crianças”. Um líder da igreja subterrânea na Somália, conta que Hurse havia se convertido em 2006, se casando em 2008 e teve um filho em 2009. Em 2010, sua família mudou-se para cidade Jilib, na região de Juba, onde abriu uma mercearia. Os somalis são considerados muçulmanos desde o nascimento e deixar o islã, classificado como crime de apostasia, é punível com a morte. Após a execução, os pais de Hurshe, sua viúva e seu filho fugiram da região. Por Dan Martins, para o Gospel+ Fonte: http://noticias.gospelmais.com.br/
A agência de notícias curda “Rudaw” informou que um líder muçulmano se converteu ao cristianismo em Dohuk, no Iraque. A notícia foi confirmada por um funcionário do Ministério das doações e dos Assuntos Religiosos do Iraque-Curdistão, segundo o qual o Comitê Fatwa em seu Ministério não funciona para aqueles que se convertem do islamismo para outra religião. Este relatório foi refletido nos meios de comunicação iranianos. O site de notícias “BultanNews”, associado a serviços de inteligência iranianos, disse que uma filha de outro líder muçulmano em Erbil, Iraque-Curdistão, também se converteu ao cristianismo com seu marido, conforme publicado pela Mohabat News. - Por algum tempo, os missionários têm feito um trabalho evangelístico no Curdistão iraquiano, muitas pessoas estão mudando sua religião em troca de presentes materiais e convertido ao cristianismo – escreveu o site de notícias. - O governo do Curdistão iraquiano não está reagindo às atividades de organizações missionárias, e, como resultado cristãos convertidos já realizaram quatro conferências nessa área – completou o relatório. Segundo o site Acontecer Cristiano, o cristianismo tem atraído muitos jovens muçulmanos, e não se limita ao Curdistão iraquiano. De acordo com o site, jovens em todo o Iraque e Síria também estão mostrando interesse em conhecer e aceitar Jesus Cristo como seu Salvador. Por Dan Martins, para o Gospel+ Fonte: http://noticias.gospelmais.com.br/
A ascensão do extremismo islâmico
coloca uma pressão cada vez maior sobre os cristãos que vivem em países
muçulmanos, que são vítimas de assassinatos, violência e discriminação. Os
cristãos agora são considerados o grupo religioso mais perseguido em todo o
mundo. Paradoxalmente, sua maior esperança vem do Islã politicamente moderado.
Kevin Ang é mais cauteloso hoje em dia.
Ele espia ao redor, dá uma olhada para a esquerda para a longa fileira de
lojas, e depois para a direita em direção à praça, para checar se não há
ninguém por perto. Só então o zelador da igreja tira sua chave, destranca o
portão, e entra na Igreja Metro Tabernacle num subúrbio de Kuala Lumpur.
A
corrente de ar vira páginas queimadas da Bíblia. As paredes estão cobertas de
fuligem e a igreja cheira a plástico queimado. A Igreja Metro Tabernacle foi a
primeira de onze igrejas a serem incendiadas por muçulmanos revoltados – tudo
por causa de uma palavra: “Alá”, sussurra Kevin Ang.
Tudo começou com uma questão – se os cristãos daqui, assim como os
muçulmanos, poderiam chamar seu deus de “Alá”, uma vez que eles não têm nenhuma
outra palavra ou língua à sua disposição. Os muçulmanos alegam que Alá é deles,
tanto a palavra quanto o deus, e temem que se os cristãos puderem usar a mesma
palavra para seu próprio deus, isso poderia desencaminhar os fiéis muçulmanos.
Durante três anos isto era proibido e o governo confiscou Bíblias
que mencionavam “Alá”. Então, em 31 de dezembro do ano passado, o mais alto
tribunal da Malásia chegou a uma decisão: o deus cristão também poderia ser
chamado de Alá.
Os imãs protestaram e cidadãos enfurecidos jogaram coquetéis
Molotov nas igrejas. Então, como se isso não bastasse, o primeiro-ministro
Najib Razak declarou que não podia impedir as pessoas de protestarem contra
determinados assuntos no país – e alguns interpretaram isso como um convite
para a ação violenta. Primeiro as igrejas foram incendiadas, depois o outro
lado revidou colocando cabeças de porcos na frente de duas mesquitas. Entre os
habitantes da Malásia, 60% são muçulmanos e 9% são cristãos, com o restante
composto por hindus, budistas e sikhs. Eles conseguiram viver bem juntos, até
agora.
É um batalha por causa de uma única palavra, mas há muito mais
envolvido. O conflito tem a ver com a questão de quais direitos a minoria
cristã da Malásia deve ter. Mais que isso, é uma questão política. A Organização
Nacional dos Malaios Unidos, no poder, está perdendo sua base de apoio para os
islamitas linha dura – e quer reconquistá-la por meio de políticas religiosas.
Essas
políticas estão sendo bem recebidas. Alguns dos Estados da Malásia interpretam
a Sharia, o sistema islâmico de lei e ordem, de forma particularmente rígida. O
país, que já foi liberal, está a caminho de abrir mão da liberdade religiosa –
e o conceito de ordem está sendo definido de forma cada vez mais rígida. Se uma
mulher muçulmana beber cerveja, ela pode ser punida com seis chibatadas.
Algumas regiões também proíbem coisas como batons chamativos, maquiagem pesada,
ou sapatos de salto alto.
Expulsos, sequestrados e mortos
Não só na Malásia, mas em muitos países em todo o mundo muçulmano, a religião
ganhou influência sobre a política governamental nas últimas duas décadas. O
grupo militante islâmico Hamas controla a Faixa de Gaza, enquanto milícias
islamitas lutam contra os governos da Nigéria e Filipinas. Somália,
Afeganistão, Paquistão e Iêmen caíram, em grande extensão, nas mãos dos
islamitas. E onde os islamitas não estão no poder hoje, os partidos seculares
no governo tentam ultrapassar os grupos mais religiosos assumindo uma tendência
de direita.
Isso pode ser visto de certa forma no Egito, Argélia, Sudão,
Indonésia, e também na Malásia. Embora a islamização frequentemente tenha mais
a ver com política do que com religião, e embora não leve necessariamente à
perseguição de cristãos, pode-se dizer ainda assim que, onde quer que o Islã
ganhe importância, a liberdade para membros de outras crenças diminui.
Há 2,2 bilhões de cristãos em todo o mundo. A organização
não-governamental Open Doors calcula que 100 milhões de cristãos são ameaçados
ou perseguidos. Eles não têm permissão para construir igrejas, comprar Bíblias
ou conseguir empregos. Esta é a forma menos ofensiva de discriminação e afeta a
maioria desses 100 mil cristãos. A versão mais bruta inclui extorsão, roubo, expulsão,
sequestro e até assassinato.
Margot Kässmann, que é bispo e foi chefe da Igreja Protestante na
Alemanha antes de deixar o cargo em 24 de fevereiro, acredita que os cristãos
são “o grupo religioso mais perseguido globalmente”. As 22 igrejas regionais
alemãs proclamaram este domingo como o primeiro dia de homenagem aos cristãos
perseguidos. Kässmann disse que queria mostrar solidariedade para com outros
cristãos que “têm grande dificuldade de viver de acordo com sua crença em
países como a Indonésia, Índia, Iraque ou Turquia”.
Há exemplos contrários, é claro. No Líbano e na Síria, os cristãos
não são discriminados, e, na verdade, desempenham um papel importante na
política e na sociedade. Além disso, a perseguição contra os cristãos não é de
forma alguma um domínio exclusivo dos fanáticos muçulmanos – os cristãos também
são presos, agredidos e assassinados em países como o Laos, Vietnã, China e
Eritreia.
“Lento genocídio” contra os cristãos
A Open Doors edita um “índice de perseguição” global. A Coreia do Norte, onde
dezenas de milhares de cristãos estão presos em campos de trabalho forçado,
esteve no topo da lista por muitos anos. Ela é seguida pelo Irã, Arábia
Saudita, Somália, Maldivas e Afeganistão. Entre os dez primeiros países da
lista, oito são islâmicos, e quase todos têm o Islã como sua religião oficial.
A
perseguição sistemática de cristãos no século 20 – por comunistas na União
Soviética e na China, mas também pelos nazistas – custou muito mais vidas do
que qualquer outra coisa que tenha acontecido até o momento no século 21.
Agora, entretanto, não são apenas os regimes totalitários que perseguem os
cristãos, mas também moradores de Estados islâmicos, fundamentalistas
fanáticos, e seitas religiosas – e com frequência simples cidadãos considerados
fiéis.
Foi-se a era da tolerância, em que os cristãos, chamados de “Povo
do Livro”, desfrutavam de um alto grau de liberdade religiosa sob a proteção de
sultões muçulmanos, enquanto a Europa medieval bania judeus e muçulmanos do
continente ou até mesmo os queimava vivos. Também se foi o apogeu do
secularismo árabe pós 2ª Guerra Mundial, quando árabes cristãos avançaram nas
hierarquias políticas.
À medida que o Islã político ficou mais forte, a agressão por
parte de devotos deixou de se concentrar apenas nos regimes políticos corruptos
locais, mas também e cada vez mais contra a influência ostensivamente corrupta
dos cristãos ocidentais, motivo pelo qual as minorias cristãs foram
consideradas responsáveis. Uma nova tendência começou, desta vez com os cristãos
como vítimas.
No Iraque, por exemplo, grupos terroristas sunitas perseguem
especialmente pessoas de outras religiões. O último censo do Iraque em 1987
mostrou que havia 1,4 milhão de cristãos vivendo no país. No começo da invasão
norte-americana em 2003, eles eram 550 mil, e atualmente o número está está
pouco abaixo dos 400 mil. Os especialistas falam num “lento genocídio”.
“As pessoas estão morrendo de medo”
A situação na região da cidade de Mosul, no norte do Iraque, é especialmente
dramática. A cidade de Alqosh fica no alto das montanhas sobre Mosul, a segunda
maior cidade iraquiana. Bassam Bashir, 41, pode ver sua antiga cidade natal
quando olha pela janela. Mosul fica a apenas 40 quilômetros dali, mas é
inacessível. A cidade é mais perigosa que Bagdá, especialmente para homens como
Bassam Bashir, um católico caldeu, professor e fugitivo dentro de seu próprio
país.
Desde o dia em que a milícia sequestrou seu pai de sua loja, em
agosto de 2008, Bashir passou a temer por sua vida e pela vida de sua família.
A polícia encontrou o corpo de seu pai dois dias depois no bairro de Sinaa, no
rio Tigre, perfurado por balas. Não houve nenhum pedido de resgate. O pai de
Bashir morreu pelo simples motivo de ser cristão.
E ninguém afirma ter visto nada. “É claro que alguém viu alguma
coisa”, diz Bashir. “Mas as pessoas em Mosul estão morrendo de medo.”
Uma semana depois, integrantes da milícia cortaram a garganta do
irmão de Bashir, Tarik, como num sacrifício de ovelhas. “Eu mesmo enterrei meu
irmão”, explica Bashir. Junto com sua mulher Nafa e suas duas filhas, ele fugiu
para Alqosh no mesmo dia. A cidade está está cercada por vinhedos e uma milícia
cristã armada vigia a entrada.
Aprovação tácita do Estado
Os familiares de Bashir não foram os únicos a se mudar para Alqosh à medida que
a série de assassinatos continuou em Mosul. Dezesseis cristãos foram mortos na
semana seguinte, e bombas explodiram em frente às igrejas. Homens que passavam
de carro gritaram para os cristãos que eles podiam escolher – ou saíam de Mosul
ou se convertiam ao Islã. Das 1.500 famílias cristãs da cidade, apenas 50
ficaram. Bassam Bashir diz que não voltará antes de lamentar a morte de seu pai
e seu irmão em paz. Outros que perderam totalmente a esperança fugiram para
países vizinhos como a Jordânia e muitos mais foram para a Síria.
Em muitos países islâmicos, os cristãos são perseguidos menos
brutalmente do que no Iraque, mas não menos efetivamente. Em muitos casos, a
perseguição têm a aprovação tácita do governo. Na Argélia, por exemplo, ela tomou
a forma de notícias de jornal sobre um padre que tentou converter muçulmanos ou
insultou o profeta Maomé – e que divulgaram o endereço do padre, numa clara
convocação para a população fazer justiça com as próprias mãos. Ou um canal de
televisão pública pode veicular programas com títulos como “Nas Garras da
Ignorância”, que descreve os cristãos como satanistas que convertem muçulmanos
com o auxílio de drogas. Isso aconteceu no Uzbequistão, que está no décimo
lugar do “índice de perseguição” da Open Doors.
A blasfêmia também é outra justificativa frequentemente usada.
Insultar os valores fundamentais do Islã é uma ofensa passível de punição em
muitos países islâmicos. A justificativa é com frequência usada contra a
oposição, quer sejam jornalistas, dissidentes ou cristãos. Imran Masih, por
exemplo, cristão dono de uma loja em Faisalabad, no Paquistão, foi condenado à
prisão perpétua em 11 de janeiro, de acordo com as seções 195A e B do código
penal do Paquistão, que tratam do crime de ofender sentimentos religiosos ao
dessacralizar o Alcorão. Um outro dono de loja o acusou de queimar páginas do
Alcorão. Masih diz que ele queimou apenas documentos antigos da loja.
É um caso típico para o Paquistão, onde
a lei contra a blasfêmia parece convidar ao abuso – é uma forma fácil para
qualquer um se livrar de um inimigo. No ano passado, 125 cristãos foram
acusados de blasfêmia no Paquistão. Dezenas dos que já foram sentenciados estão
agora esperando sua execução.
“Não nos sentimos seguros aqui” A perseguição tolerada pelo governo acontece até mesmo na Turquia,
o país mais secular e moderno do mundo muçulmano, onde cerca de 110 mil
cristãos representam menos de um quarto de 1% da população – mas são
discriminados assim mesmo. A perseguição não é tão aberta ou brutal quanto no
vizinho Iraque, mas as consequências são semelhantes. Os cristãos na Turquia,
que estavam bem acima dos 2 milhões no século 19, estão lutando para continuar
a existir.
É o que acontece no sudeste do país, por exemplo, em Tur Abdin,
cujo nome significa “montanha dos servos de Deus”. É uma região montanhosa
cheia de campos, picos e vários mosteiros de séculos de existência. O local
abriga os assírios sírios ortodoxos, ou arameus, como denominam a si mesmos,
membros de um dos grupos cristãos mais antigos do mundo. De acordo com a lenda,
foram os três reis magos que levaram o sistema de crenças cristão de Belém para
lá. Os habitantes de Tur Abdin ainda falam aramaico, a língua usada por Jesus
de Nazaré.
O mundo sabe bem mais sobre o genocídio cometido contra os
armênios pelas tropas otomanas em 1915 e 1916, mas dezenas de milhares de
assírios também foram assassinados durante a 1ª Guerra Mundial. Estima-se que
cerca de 500 mil assírios viviam em Tur Abdin no começo do século 20. Hoje há
apenas 3 mil. Um tribunal distrital turco ameaçou, no ano passado, tomar posse
do centro espiritual assírio, o mosteiro Mor Gabriel de 1.600 anos de idade,
porque acreditava-se que os monges haviam adquirido terras de forma ilegal.
Três vilarejos muçulmanos vizinhos reclamaram que sentiam-se discriminados por
causa do mosteiro, que abriga quatro monges, 14 freiras e 40 estudantes atrás
de seus muros.
“Mesmo que não queira admitir, a Turquia tem um problema com
pessoas de outras religiões”, diz Ishok Demir, um jovem suíço de ascendência
aramaica, que vive com seus pais perto de Mor Gabriel. “Nós não nos sentimos
seguros aqui.”
Mais que qualquer coisa, isso tem a ver com o lugar permanente que
os armênios, assírios, gregos, católicos e protestantes têm nas teorias de
conspiração nacionalistas do país. Esses grupos sempre foram vistos como
traidores, descrentes, espiões e pessoas que insultam a nação turca. De acordo
com uma pesquisa feita pelo Centro de Pesquisa Pew, sediado nos EUA, 46% dos
turcos veem o cristianismo como uma religião violenta. Num estudo turco mais
recente, 42% dos entrevistados disseram que não aceitariam cristãos como
vizinhos.
Os repetidos assassinatos de cristãos, portanto, não são uma
surpresa. Em 2006, por exemplo, um padre católico foi assassinado em Trabzon,
na costa do Mar Negro. Em 2007, três missionários cristãos foram assassinados
em Malatya, uma cidade no leste da Turquia. Os responsáveis pelo crime eram
nacionalistas radicais, cuja ideologia era uma mistura de patriotismo
exagerado, racismo e Islã.
Convertidos correm grande risco
Os muçulmanos que se converteram ao cristianismo, entretanto, enfrentam um
perigo ainda maior do que os próprios cristãos tradicionais. A apostasia, ou a
renúncia ao Islã, é castigada com a morte de acordo com a lei islâmica – e a
pena de morte ainda se aplica no Irã, Iêmen, Afeganistão, Somália, Mauritânia,
Paquistão, Qatar e Arábia Saudita.
Até no Egito, um país secular, os convertidos atraem a cólera do
governo. O ministro da religião defendeu a legalidade da pena de morte para os
convertidos – embora o Egito não tenha uma lei como esta – com o argumento de
que a renúncia ao Islã é alta traição. Esses sentimentos fizeram com que
Mohammed Hegazy, 27, convertido para a Igreja Cóptica Ortodoxa, passasse a se
esconder há dois anos. Ele foi o primeiro convertido no Egito a tentar fazer
com que sua religião nova aparecesse oficialmente em sua carteira de identidade
expedida pelo governo. Quando seu pedido foi recusado, ele tornou o caso
público. Inúmeros clérigos pediram a sua morte em resposta.
Os cópticos são a maior comunidade cristã do mundo árabe, e cerca
de 8 milhões de egípcios pertencem à Igreja Cóptica. Eles são proibidos de
ocupar altas posições no governo, no serviço diplomático e militar, assim como
de desfrutar de vários benefícios estatais. As universidades têm cotas para
alunos cópticos consideradas menores do que a porcentagem que eles representam
na população.
Não é permitido construir novas igrejas, e as antigas estão caindo
aos pedaços por causa da falta de dinheiro e de permissão para reforma. Quando
as meninas são sequestradas e convertidas à força, a polícia não intervém.
Milhares de porcos também foram mortos sob o pretexto de combater a gripe
suína. Naturalmente, todos os porcos pertenciam a cristãos.
O vírus cristão Seis cópticos foram massacrados em 6 de janeiro – quando os
cópticos celebram a noite de Natal – em Nag Hammadi, uma pequena cidade 80
quilômetros ao norte do Vale dos Reis. Previsivelmente, o porta-voz da
Assembleia do Povo, a câmara baixa do parlamento egípcio, chamou isso de “um
ato criminoso isolado”. Quando acrescentou que os responsáveis queriam se
vingar do estupro de uma jovem muçulmana por parte um cóptico, isso quase
pareceu uma desculpa. O governo parece pronto a reconhecer o crime no Egito,
mas não por tensão religiosa. Sempre que conflitos entre grupos religiosos
acontecem, o governo encontra causas seculares por trás deles, como disputas
por terras, vingança por algum crime ou disputas pessoais.
Nag Hammadi, com 30 mil moradores, é uma poeirenta cidade
comercial no Nilo. Mesmo antes dos assassinatos, era um lugar onde os cristãos
e os muçulmanos desconfiavam uns dos outros. Os dois grupos trabalham juntos e
moram próximos, mas vivem, casam-se e morrem separadamente. A superstição é
generalizada e os muçulmanos, por exemplo, temem pegar o “vírus cristão” ao
comer junto com um cóptico. Não surpreende que esses assassinatos tenham
acontecido em Nag Hammadi, nem que depois deles tenham se seguido os piores
atos de violência religiosa em anos. Lojas cristãs e casas muçulmanas foram
incendiadas, e 28 cristãos e 14 muçulmanos foram presos.
Nag Hammadi agora está cercada, com seguranças armados em
uniformes negros guardando as estradas para entrar e sair da cidade. Eles
certificam-se de que nenhum morador deixe a cidade e nenhum jornalista entre
nela.
Três suspeitos foram presos desde então. Todos eles têm fichas criminais.
Um admitiu o crime, mas depois negou, dizendo que havia sido coagido pelo
serviço de inteligência. O governo parece querer que o assunto desapareça o
mais rápido possível. Os supostos assassinos provavelmente serão libertados
assim que o furor passar.
Mais direitos para os cristãos?
Mas também há pequenos indícios de que a situação de cristãos acuados em países
islâmicos possa melhorar – dependendo do tanto que recuarem o nacionalismo e a
radicalização do Islã político.
Uma das contradições do mundo islâmico é que a maior esperança
para os cristãos parece surgir exatamente do campo do Islã político. Na
Turquia, foi Recep Tayyip Erdogan, um ex-islamita e agora primeiro-ministro do
país, que prometeu mais direitos aos poucos cristãos remanescentes no país. Ele
aponta para a história do Império Otomano, no qual os cristãos e judeus tiveram
de pagar um imposto especial por muito tempo, mas em troca, tinham a garantia
de liberdade de religião e viviam como cidadãos respeitados.
Uma atitude mais relaxada em relação as minorias certamente
representaria um progresso para a Turquia.